instituto brasileiro arte e cultura
2016 - ano martins pena

Martins Pena
 
2005
 
 
 
 
 
2005 :: Ano Vilanova Artigas

 

 

Berthold Brecht disse que certas pessoas são imprescindíveis, pois lutaram a boa luta o tempo todo e, por isso, sempre o serão. Artigas continua sendo assim.

Como ele é?

Ele é como as casas que projetou. Nas suas casas, como em qualquer obra de arte, nada se cria, tudo renasce. As casas desenhadas por ele nunca são iguais entre si, eram especiais, assim como as pessoas que iriam morar nelas, que se ainda não o eram, passariam a sê-lo. Todas são obras de arte e, afinal, não é todo mundo que deixa obras de arte na chuva, apenas alguns malucos. Através de sua interpretação da história, “a única ciência possível da arte“ as suas casas propunham sempre novas maneiras de viver em grupo, superando o passado colonial e a imagética estrangeira para se insinuar na cidade de forma a ensinar que uma estrutura deve ser gentil com a natureza, a vizinhança, contribuir para ordenar a paisagem, impor-se de forma humana. Confortavelmente.

Ele é como as escolas que projetou. Nas suas escolas também sugeria outros caminhos possíveis para o ensino e propunha uma existência pedagógica no qual o espaço ensinava a convivência e expressava símbolos da cultura brasileira. Nas suas escolas se propõe que as pessoas se civilizem, como em todos os seus projetos.

Ele é como suas aulas nas quais procurava a precisão e a profundidade dos temas em discussão. Quando conversava, não era muito diferente, era um ensinador perene, suas opiniões só eram externadas após muito ouvir, dignificando e esclarecendo mentes. Artigas era, pois, antes de tudo, um educador que vivia reafirmando que a arte não é um fenômeno natural. Seus projetos e aulas são a afirmação da existência humana, carregadas de brasilidade.

“- Agora, vamos desenhar um cavalo.
- Tá bom pai, mas depois a gente desenha dez aviões!
- Mas você desenha cavalos tão bem...
- É, mas eu gosto mesmo é de avião!“

Ele sempre foi generoso e além de desenharmos juntos cavalos, aviões e muitas outras coisas e gentes, explicava-me o que é movimento, aerodinâmica, peso e pressão... porque todos os assuntos tinham uma dimensão muito mais ampla, universal, a dimensão do conhecimento, que é a única maneira de, na sua procura, as pessoas encontrarem a liberdade. Sua única religião. Comigo ele era indócil, terno e nada autoritário, adorava mostrar para mim e todos os amigos e amigas que a vida é um eterno aprender, afinal “ás coisas estão no mundo”. Disso não abria mão. Era a sua generosa trincheira de luta libertária pela beleza. Assim cativou e seduziu todos nós.

Julio Camargo Artigas, junho 2005. No dia 23 de junho deste ano Artigas festeja seus 90 anos.

 

 
 

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