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2016 - ano martins pena

Martins Pena
 
013
 
 
 
 
 
Gazy Andraus

História em Quadrinhos, Imagética e Maturidade – XXXIV: A Atualização dos Sentimentos e Além (parte 4)

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tesegazy.blogspot.com

Exponho aqui com o consentimento do Elydio, as visões que ele teve no velamento de meu pai, e que me enviou por email no dia 26 de Abril de 2010:

Oi Gazy,
Espero que você esteja bem apesar da recente transição de seu pai. Como você nos falou no dia de ontem em sua casa, imagino que o mais difícil seja agora viver, ao menos pelos próximos dias, os fazeres cotidianos. Afinal nos últimos anos foram apenas você e ele, não é mesmo? Tenho certeza, porém, que com sua robustez espiritual você vai passar por isso tudo muito bem e como sempre...aprendendo!
Relato para você as duas visões que tive no dia do sepultamento de seu pai. Embora já tenha lhe contado pessoalmente avalio que o registro possa ser importante. Quem sabe não é um roteiro de uma história em quadrinhos poético-filosófica?
(...)
A visão é muito simples e, é óbvio, cada um faz dela a leitura que melhor lhe aprouver. Limito-me a narrar como ocorreram as visões.
É isso Gazy. Que você continue fanzinando, quadrinhando, espiritualizando, vivendo com amorosidade sempre.
Grande abraço.
Elydio

Seguem as visões:

PRIMEIRA VISÃO
Havia passado um pouco das 14h00 quando entrei no recinto no qual o corpo físico de seu pai estava sendo velado. Na sala estava apenas seu cunhado sentado em uma das cadeiras. Cheguei próximo ao caixão e fiz o sinal da cruz. O celular do seu cunhado tocou e ele saiu. A visão então começou. Vi seu pai em plena beleza corpórea. Estava corado, o rosto cheio, alegre e sereno, muito sereno. Parecia-me estar um pouco mais jovem do que a idade com a qual fez a sua transição, mas possuía os cabelos brancos e percebia-se, pelos padrões terrenos, alguém avançado em anos, porém em pleno vigor de saúde. Ele trajava uma túnica branca que tinha um colarinho alto ao redor de seu pescoço, chegando até seus pés. Mas via-se, perfeitamente, seus pés descalços sobre uma deliciosa grama verde, muito viva e cheirosa. Ele estava sentado em um banco de madeira fincado aos pés de uma árvore grande, com um tronco enorme e muito frondosa. O dia estava bonito e muito ensolarado. A árvore produzia uma sombra fantástica e quem estivesse sob sua copa não sentiria nenhum excesso de calor. Sentado como estava tinha uma revista de histórias em quadrinhos sobre o seu colo e estava deliciosamente entretido com a sua leitura. A revista era grande e, detalhe, os desenhos eram do Gazy. Eu fiquei ali observando e sentindo a paz daquele momento. Então ele levantou os olhos para mim e sem nada me dizer, mas transmitindo-me uma grande paz e serenidade, sorriu para mim e fez o sinal de positivo com o polegar de sua mão direita, enquanto a mão esquerda segurava cuidadosa e amorosamente a revista em quadrinhos do Gazy. Imediatamente vi o Gazy em pé ao lado do banco em que seu pai estava sentado. O Gazy também estava de branco, muito sereno e alegre. Também lia uma revista de histórias em quadrinhos por ele próprio criada. Seu pai continuava a sorrir-me e a fazer o sinal de positivo como que me dizendo: – Está tudo bem. Eu compreendi tudo. O círculo se completou. Está tudo certo. Estou bem. Está tudo certo.


Nestes desenhos ao lado, está minha versão preto e branco e colorizada da visão de Elydio

SEGUNDA VISÃO
A segunda visão ocorreu-me quando a tampa do caixão no qual estava o corpo físico de seu pai ia sendo fechada para proceder o cortejo até o Cemitério da Areia Branca. Vi seu pai da mesma maneira como na primeira visão: vestido com a túnica branca até os pés e descalço, sereno e muito sorridente. Estava em pé e num grande gramado verde que era um grande descampado. O dia continuava ensolarado e bonito. Com a mão direita fez o sinal característico de “podem ir” ou “vão...vão”. Com o polegar da mão esquerda ele fazia o mesmo sinal de positivo e sorria.


Devo relatar que não é de agora que trabalho com as imagens como potencial de vaticínio. Elydio, ao que parece, também dá crédito a suas intuições imagéticas. O antropólogo norte-americano Darrell Steven Champlin (http://bellatryx.blogs.ie/darrell-champlin-um-antropologo/), que vive e leciona em Santos (e também membro da Academia de Ciências de Nova Iorque) há mais de 20 anos se dedica ao estudo e à interpretação dos sonhos, catalogando-os e classificando-os, inclusive os premonitórios. Ele, por exemplo, relata que desde os 12 anos tinha um sonho recorrente com uma mulher que veio a conhecer literalmente (e depois se casar), já adulto, quando veio ao Brasil. A partir de então seu interesse por sonhos se tornou um estudo meticuloso e acadêmico.
Eu mesmo tenho sonhos que me transmitem mensagens em que algumas vezes consigo interpretar como aconselhamentos, inclusive. Um deles me mostrou o que viria a acontecer comigo nessa fase em que meu pai se acidentou, acarretando grandes mudanças para minha vida, que se iniciam agora.
Isto se verá no próximo artigo.

Gazy Andraus; São Vicente, maio/junho de 2010.

Coordenador do Curso de Artes da FIG-UNIMESP, Pesquisador do Observatório de Quadrinhos da Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA-USP), Doutor em Ciências da Comunicação da ECA-USP (melhor tese de 2006 pelo HQMIX em 2007), Mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP, e autor de histórias em quadrinhos autorais adultas, de temática fantástico-filosófica.

07 de outubro de 2010

 


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