instituto brasileiro arte e cultura
2016 - ano martins pena

Martins Pena
 
016
 
 
 
 
 
Hugo Oskar

História da Mímica (2)

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As fontes pré-históricas, populares, folclóricas, assim como datas da história das religiões oferecem um material abundante, danças culturais e festejos das mais diversas informações do início do teatro.
No princípio foi a crença aos deuses, o desejo do homem por assegurar seu favor e sua ajuda.
Os caçadores do período glacial se reuniam na gruta de Montespam em torno de uma estátua de argila coberta com pele de urso, e eles se fantasiavam de ursos em ritual mímico-mágico, agrediam a estátua até cair simulando a sua morte, acreditando no êxito da caça do urso.
A paleolítica dança do urso das cavernas Francesas de Montespam ou de Lescoux corresponde a festas dos troféus do urso da Ainu no Japão pré-histórico, e ainda se repete em algumas tribo da Índia e América do Norte, nos bosques africanos, na dança dos búfalos feitos pelos índios americanos, nas danças Australianas de Corroboru, nas pantomimas do canguru, do Emu e da foca nas mais diversas tribo indígenas.
Normalmente as grandes escolas de mímica são encontradas na Europa: são elas que marcam a linha de comportamento do público interessado em assistir a este tipo de representação hoje. As apresentações dos mímicos têm sido elitisadas, quando sua trajetória sempre foi popular, como na Grécia e Roma antigas e na Idade Média, sempre com uma mentalidade nômade de viajar por todos os cantos do mundo.
Para se tornar um mímico profissional precisa-se de muito esforço, perseverança, disciplina, estudo corporal, passando por vários estágios, aprendendo a gramática do mímico, história do teatro, história das artes, física, maquiagem, dança, anatomia e outras matérias.
Existem diversos exercícios da gramática da mímica que são imprescindíveis: as caminhadas, de frente e de perfil, como Carlitos; puxada de cordas, horizontal e vertical; posições das mãos em referências aos objetos; mãos apoiadas em um vidro; luta contra o vento. São alguns dos exercícios que o mímico deve praticar diariamente para poder levar ao palco uma apresentação de agrado para todo tipo de público.
Quando em seu estudo: nascimento, amadurecimento, velhice e morte, apresentadas em seqüência como no cinema, em poucos minutos através da vida de um homem, chega com força intensiva da expressão do drama primordial, trata-se da arte da identificação do homem com a natureza, com os elementos, que ficam perto de nós.
A habilidade do mímico consiste em criar a ilusão do tempo: o corpo é convertido em seu instrumento, que substitui uma orquestra, a expressão do som mais pessoal a transformar-se em uma expressão universal.
Hoje os “mimos” tem estilos decorrentes de escolas européias, como Marceal Marceux e Entiel Decraux, na França, e escolas da Polônia e Inglaterra. O trabalho da maioria das escolas é baseado no folclore oriental e no mundo antigo, só que estilizado esteticamente. Nós, mímicos latino-americanos, devemos procurar nossas raízes que são ricas em criatividade: Antonio da Nóbrega, do teatro Brincante, tem um trabalho riquíssimo com referência a este tema.
Muitas pessoas acreditam que pelo fato de os mímicos maquiarem o rosto de branco ele tem a obrigação de fazer palhaçadas, mas existe uma diferença muito grande. A finalidade do mímico no palco não é fazer o público rir às gargalhadas, mas sim mostrar a vida de forma alegre, simpática e crítica.

Mímico, marionetista e artista plástico. Atualmente é diretor do grupo de Teatro de Animação Metamorfaces. Para saber mais sobre o grupo acesse:http://www.cooperativadeteatro.com.br/nucleos/metamorfaces.htm

19 de fevereiro de 2007

 


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