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2016 - ano martins pena

Martins Pena
 
013
 
 
 
 
 
Gazy Andraus

HQ e Memória Visual

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HQ e Memória Visual: Uma Incursão pela Psique de um Leitor/Autor de Histórias em Quadrinhos!

Gazy Andraus


A magia da imagem é algo indescritível. A criança tem na mente um imaginário poderoso, lúdico e único. Dependendo da idade, a criatividade infantil é ímpar.
Estou acostumado a escrever artigos acerca do universo das histórias em quadrinhos, de uma forma acadêmica, e a pensar (e re-pensar) a importância que os desenhos têm para a psique humana.
Convidado pela Angela para escrever de forma descompromissada sobre a preservação da memória da história em quadrinhos no Brasil, lembrei que, muito do que sou, devo à força dos quadrinhos, que leio/vejo desde que me tornei alfabetizado.
Assim, para começar esta série de pequenos artigos, quero expor que o farei como uma parte autobiográfica, pois a antropologia vê que esta forma de trabalhar também se rivaliza em importância com a tradicional forma acadêmica, de modo que há um cientificismo intrínseco, não deixando de ser o texto biográfico lúdico também, e rico de conteúdo aprazível, já que “ilustra” a vida de uma pessoa, uma alma humana!
O ser humano gosta de saber da vida de outrem, e aqui, propositalmente, é interessante que se saiba como se formatou minha psique, pois expõe a força das histórias em quadrinhos (HQ)...e mais, a força que tinham (e ainda têm) as revistas que publicam estas histórias...!
Enfim, penso que trabalharei da seguinte forma:
-um texto contando como foi minha formação imagética pelos quadrinhos, mostrando alguns títulos, desde minha tenra infância com os “gibis” infantis que pululavam nas bancas dos anos 70 (sou de 1967);
-outro narrando minha fase de adolescência com a riqueza gráfica e informacional-ficcional-científica das HQ de Super-Heróis, dos anos 70 aos meados de 80 e;
-a descoberta dos quadrinhos europeus a partir da segunda metade da década de 1980, concomitante ao meu ingresso no universo dos
- fanzines que trazem a criatividade livre das histórias em quadrinhos adultas nacionais, influenciadas numa amálgama das HQ de super-heróis norte-americanas e artísticas européias, mas com um “quê” único de brasilidade criativa, que vocês entenderão ao ler meus escritos.
Espero que esta viagem possa ser das mais agradáveis e plenas de informações, possíveis, de maneira sui generis e inédita!
E que ambos, vocês e eu, nos enriqueçamos cada vez mais com tais assuntos.
Afinal, a mente humana trabalha em uma ciclagem cerebral triádica do neocórtex, unindo as partes central reptiliana (pragmática), hemisferial esquerda (racional) e direita (intuitiva e criativa). E ainda numa ciclagem que vai das ondas alfa a gama, necessitando ser melhor entendida, principalmente no que concerne à ciclagem mental infantil, que se situa mais na alfa, um tanto lenta, mas muito mais propensa à criatividade e a imaginação inusitada e distinta, do que a “realidade” percebida pela ciclagem beta.
E os quadrinhos, por possuírem imagens desenhadas (por mentes autorais), ajudam-nos a nos manter na ciclagem alfa mais tempo, o que nos beneficia na criatividade e na expansão do hemisfério direito, de um cérebro que se descobriu ser neuroplástico...
Viram só? Quadrinhos não são apenas cultura e lazer: são mecanismos de manutenção psíquica!
Bem-vindos a esse novo mundo!
Até o próximo e primeiro texto, em que falarei dos “gibis” de minha infância, cujo conteúdo é muito mais vasto e rico do que podem aventar, e também do impacto que causavam em mim, toda vez que me deparava com eles nas bancas!
Assim, a memória do quadrinho nacional vai sendo destrinchada, no que se refere às publicações quadrinhísticas brasileiras, desde a década de 1970 até agora.
Um abraço.

Pesquisador do Núcleo de Pesquisa de História em Quadrinhos da Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA-USP), Mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP ,doutor em Ciências da Comunicação da ECA-USP e autor de histórias em quadrinhos autorais adultas, de temática fantástico-filosófica.

31 de outubro de 2006

 


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