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2016 - ano martins pena

Martins Pena
 
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Gazy Andraus

História em Quadrinhos, Imagética e Maturidade – XXIII: O Início da Tese...

Afinal, após o fatídico ano de 2001 com a queda das torres gêmeas devido ao atentado de 11 de setembro, quase mais um ano de preparação e em julho de 2002 eu consegui ingressar no doutorado da ECA-USP, impulsionado novamente pelo meu amigo Edgar Franco que, como também me aconselhou à época do mestrado, repetiu o auxílio avisando-me, passando ele no doutorado de Artes da USP, e eu no de Ciências da Informação (depois desmembrando-se o curso em Ciências da Comunicação) pela USP – tendo eu sido orientado pelo Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro, que muito me auxiliou durante o decurso de pouco mais de 4 anos do doutoramento!

Ao ingressar nesta pós e cursar quatro disciplinas, comecei a ampliar minha visão acerca da necessidade da expressão humana artística, incluindo ampliação acerca do universo dos quadrinhos como informação, graças à última disciplina que fiz como aluno do próprio Waldomiro Vergueiro, tendo todas, resultado em monografias/artigos (fig. 1).

A primeira disciplina “Linguagens e Tecnologias” me fez perceber que a antropologia (e mesmo o mundo acadêmico) tem certa semelhança na busca tida erroneamente como pseudo-científica de pesquisadores do desconhecido, como Erik Van Daniken e outros como Jacques Bergier e Louis Pawels, que fundaram a revista original (francesa) “Planeta”.

Embora nem mencionar tais autores, ao iniciar essa disciplina do doutorado, comecei a perceber a importância da ficcionalidade à alma humana: o comungar de histórias, a criação de contos, o partilhar, tudo como uma necessidade premente desde que o homem se tornou erectus e teve sua inteligência ampliada, tanto pela mudança de alimentação devido ao cataclisma da era quaternária, como à incidência dos raios solares em sua fronte craniana, alterando a atividade cerebral, expandindo-a, bem como muitas outras informações pertinentes e acadêmicas científicas.

Concomitante a isso, cursei outra disciplina “Biblioteca, Recepção e Aprendizagem”, tendo como foco a leitura e o desenvolvimento dela e da escrita, tendo visto que esta última como linguagem incide de forma diferente nos hemisférios cerebrais, dependendo se fossem escritas fonéticas, ou então ideogramas.

Elaborei assim duas extensas monografias acerca dos dois temas (figs. 2 e 3), que impulsionaram e ampliaram minha tese, que inicialmente não tinha tais bases.

Foi com elas que percebi que as histórias em quadrinhos faziam parte das narrativas, desde a pré-história imagética, até os tempos de hoje, e que trabalhavam com a ficcionalidade necessária desde a desconexão do homem com a natureza intrínseca: o homem principiou o livre-arbítrio, perdendo a conexão da natura, tendo que se preocupar com tudo o que os outros animais se preocupavam, além de ter sua própria preocupação de ser senciente, a noção de estar e sentir e ser-“humano”... e buscar! Buscar algo que o atormenta até hoje, e que o impulsiona a criar. Este “algo” seria a iminência dessa conexão destada, o desejo de não saber que sofre etc.

A tese se formatava, e eu me intrigava cada vez mais com as descobertas e com o próprio processo criativo misturado à racionalidade cartesiana!

Obviamente, concomitante a isso tudo, eu continuava tentando produzir HQ, ilustrações e participar de fanzines. Congressos também entravam nas atividades, como o Intercom e a Rede Alcar, onde eu apresentava meus resultados das pesquisas.

Mas a coisa tomou um rumo muito mais complexo quando eu iniciei a disciplina “A Mente e a Máquina: leituras em Inteligência Artificial e Comunicações” rendendo duas monografias com bases igualmente científicas, usando conceitos os mais variados, como o “memetismo” de Richard Dawkins e aportes como o do físico indiano Amit Goswami (fig. 4): com essa disciplina, lendo textos de cientistas das mais variadas áreas, percebi que a ciência continha a ficção e se aproveitava dela para metaforizar suas idéias. E que as pesquisas eram muito mais complexas (e desconhecidas) do que pensamos. E que os quadrinhos de super-heróis, por exemplo, com seus termos de “raios gama”, “plasma”, raios cósmicos etc (fig. 5) , vêm de uma interculturalidade interdisciplinar norte-americana vivida pelo EUA, já que a tecnologia de ponta e a pesquisa idem se encontravam lá, graças a cientistas oriundos de várias nações e gerações (desde Einstein, por exemplo).

Percebi a complexidade da mente, dos sonhos, a filosofia, a física quântica, a inteligência Artificial e muito mais! E percebi que isso se refletia em suas artes (e nos quadrinhos!).

Isto propiciou com que minha tese se amplificasse, e que eu criasse o site “HQMente” e sua contra-parte: o fanzine “HQMente”, contendo as premissas que eu estava estudando e que ingressavam em minha elaboração da tese.

E também isto tudo contribuiu a que eu incluísse a teoria do cérebro triuno e sua neuroplasticidade, dado os pesquisadores que fui elencando no caminhar da tese!

Acerca disso e do meu “Projeto HQMente”, ficam para o próximo texto!




Gazy Andraus; São Vicente, 20/26 de novembro de 2008.

Professor da UNIFIG, Pesquisador do Núcleo de Pesquisa de História em Quadrinhos da Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA-USP), Doutor em Ciências da Comunicação da ECA-USP (melhor tese de 2006 pelo HQMIX em 2007), Mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP, e autor de histórias em quadrinhos autorais adultas, de temática fantástico-filosófica.

29 de novembro de 2008

 


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