instituto brasileiro arte e cultura
2016 - ano martins pena

Martins Pena
 
013
 
 
 
 
 
Gazy Andraus

História em Quadrinhos, Imagética e Maturidade – XXIV: Projeto ``HQMente´´ e Cérebro Triuno.

A partir daqui se delineará mais acerca de minha tese de doutoramento, enfocando o cérebro triuno (teoria do pesquisador Waldemar de Gregori) e meu fanzine HQMente.
No encaminhamento de minhas pesquisas, o percurso não foi dos mais fáceis, apesar da aparente seqüencialidade passível de ser percebida em minhas monografias realizadas, fruto das disciplinas cursadas na pós-graduação da ECA – USP. Enquanto minha mente ia tecendo as idéias na construção da tese, vez ou outra eu elaborava HQ e ilustrações para colaborar com fanzines (ou mesmo para fazer os meus fanzines).
Antes de cursar a disciplina`A mente e a máquin´, que resultou nos dois artigos finais já mostrados em meu texto anterior, em dezembro de 2002 eu havia me sentado, durante 3 dias sem quase sair da cadeira em frente a meu computador, para elaborar minha homepage. Foi um auto-aprendizado usando o programa FrontPage, com todas as dificuldades, mas que enfim eu conseguira suplantar, que era a criação de um site, ainda que simples e sem animações (lembrando que àquele tempo minha conexão à Internet era feita por pulso telefônico).
Porém, este preâmbulo na construção da minha homepage (http://geocities.yahoo.com.br/gazyandraus/index.htm) me auxiliou, no meio de 2003, a criar meu site Projeto HQMente (http://www.geocities.com/gazyandraus), trazendo teorizações que teci do decurso da disciplina mencionada, produzindo HQ pertinentes e que estariam online como parte do meu projeto referido, e integrante de meu doutorado.
Amiúde meus estudos, elaborei depois a contra-parte do que seria meu site HQMente, que foi o fanzine fotocopiado homônimo (fig. 1), trazendo as mesmas HQ, um glossário e um texto introdutório.
O`zine´ consistia em ter várias histórias em quadrinhos que produzi a partir das leituras científicas (a maioria composta de pesquisadores estrangeiros, e no original em inglês, por não haver livros traduzidos no Brasil), em que eu reelaborava HQ refletindo os assuntos lidos.
A premissa do projeto era a de que o leitor se imbuiria de informações científico-ficcionais sendo estimulado de forma inteligente por essas HQ, já que àquela altura eu havia descoberto, pela bibliografia que eu pesquisava, que os desenhos são lidos de forma diferente em nossos hemisférios cerebrais direito (criativo) e esquerdo (racional-lógico).
A repercussão desse trabalho foi interessante, tendo eu conseguido várias respostas de correspondentes autores e pesquisadores da área de quadrinhos (fig. 2).
Mas explicarei melhor como funciona o site `Projeto HQMente´ (a partir de meu artigo apresentado ao NP: 16 - História em Quadrinhos, do encontro dos Núcleos de Pesquisa da Intercom de 2004: ANDRAUS, Gazy. Projeto HQMente: complementação educacional e universitária informatizada através da literatura-imagética):

O Projeto HQMente:


Como o título deste projeto tinha a intenção de juntar o veículo das HQ com sua divulgação utilitária e como premissa de uma necessidade ontológica, batizei o projeto de HQMente, num claro imbricamento entre o conceito de que as HQ, obviamente como todas as outras criações humanas, são frutos oriundos da própria elucubração mental, segundo a hipótese aventada neste trabalho, na qual a mente `pede´ a criação não só racionalizada, mas também `imaginada´ – no caso, exemplificada com as HQ – como fator de sua incessante busca pela reunião após a ruptura com a natureza.
Este projeto consiste então, na elaboração e publicação on line de várias HQ motivadas pela leitura de diversos textos de divulgação científica, que versam a respeito principalmente da mente, do funcionamento cerebral, e de sua analogia com os computadores e as tentativas da ciência de aprimorar a Inteligência Artificial (ao mesmo tempo em que tenta compreender o funcionamento da própria mente humana).
Através destas leituras, verifiquei uma grande variedade de autores-pesquisadores, que atuam em diversas áreas da ciência, desde biólogos, engenheiros, matemáticos, cientistas em geral (incluso cientistas cognitivos) que expõem seus pensamentos e descobertas, bem como prospecções, em uma rica amálgama entre metáforas e conceitos de divulgação científica, que muitas vezes são utilizados por autores de livros ficcionais, bem como de HQ.
Aproveitando as facilidades que a Internet trouxe, o projeto inicial foi o de montar uma homepage (ou website) simplificada, contendo várias HQ (em primeira instância as que foram produzidas após as leituras de textos científicos). Assim, a partir da página inicial (Fig. 3) da website criada, o leitor/navegador vai poder escolher dois caminhos: um que lhe informará acerca do conteúdo e objetivo do site, e outro em que ele pode ir direto para uma página que elenca várias pequenas imagens inseridas em outra maior (Fig.4), a partir das quais ele pode se redirecionar a qualquer HQ das que estejam dispostas (Fig. 5 e 5a)
, obtendo por fim, ao clicar nelas, mais informações delas e bibliografia dos textos científicos que as tornaram materializadas (Fig. 6): a criação das HQ não pretendeu que elas fossem fiéis à divulgação dos textos, mas sim uma livre-criação, após as elucubrações mentais eclodidas a partir das leituras prévias. Desta forma, tanto os textos científicos (com suas metáforas) como as HQ artísticas eclodidas por causa deles se apresentam independentes, porém, igualmente conduzidas por um mesmo liame que os une e os recria, propiciando ao leitor dois modos de `ler´: o visual-imagético das HQ (que em muitas vezes trazem um pouco do texto literário científico ou se baseiam nele), e o literário-científico divulgacional da escrita fonética (que igualmente oferece pontos ficcionais aventados pelos autores-cientistas como tentativa de elucidar ou até hipotetizar conceitos difíceis de serem compartilhados de outra forma).
Por fim, uma rápida explanação acerca do ícone pertinente que abre a página principal do site (index) se faz necessária: ele foi pensado como um desenho (Fig. 7) que mescla a forma do cérebro com o balão de pensamento que, na técnica da HQ, funciona como recurso gráfico permitindo ao leitor conhecer os pensamentos dos personagens. Então, aqui fica uma alusão do próprio ícone como `guia´ ao leitor: ele está adentrando seu pensamento que é sua própria mente, sua consciência, ou seu cérebro?
Enfim, este projeto, depois, integrou minha tese, junto com a teoria do cérebro triuno, do sociólogo Waldemar de Gregori, ampliando a defesa do uso das histórias em quadrinhos na melhora da inteligência sistêmica humana, como se verá em meus próximos escritos.




Gazy Andraus; São Vicente, 20 de dezembro de 2008

Professor da UNIFIG, Pesquisador do Núcleo de Pesquisa de História em Quadrinhos da Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA-USP), Doutor em Ciências da Comunicação da ECA-USP (melhor tese de 2006 pelo HQMIX em 2007), Mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP, e autor de histórias em quadrinhos autorais adultas, de temática fantástico-filosófica.

14 de janeiro de 2009

 


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