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2016 - ano martins pena

Martins Pena
 
013
 
 
 
 
 
Gazy Andraus

História em Quadrinhos, Imagética e Maturidade – XXIX: a Atualidade Acadêmico-artística

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http://tesegazy.blogspot.com/

Este ano de 2009 envolvi-me com diversos artigos e trabalhos, não só acadêmicos, como artísticos. Além de ter participado de dois eventos importantes, um no Sul, apresentando um pôster envolvendo a educação, espiritualidade e arte “Para uma visão univérsica e triuna da espiritualidade, educação e arte” (Fig. 1), realizado em junho pela FESP-UFRGS 2009 – Fórum Universidade e Espiritualidade 2009: Saberes Transdisciplinares em Construção, e outro, conforme visto no último artigo do IBAC, sobre o meu processo criativo em Goiás no II seminário de Pesquisa em Cultura Visual, evento acadêmico realizado pelo curso de Pós-Graduação da Faculdade de Artes Visuais (FAV) da Universidade Federal de Goiás (UFG). Além disso, participei de um livro intitulado “Dias contados” (fig. 2), publicando meu conto “o A-Final”, que verte uma reflexão acerca de uma possível hecatombe à humanidade, mas sendo contada do ponto de vista de extraterrestres num futuro em que avaliam como foi a vida na Terra. A inspiração foi do filme “O Planeta Proibido” (The forbidden planet), em que os humanos descobrem um planeta inteiro intacto em sua tecnologia, sem, porém, uma alma viva. O que se sucedeu no filme foi que os habitantes daquele planeta descobriram uma maneira de represar o “id” deles (id, ego, super-ego, conceitos criados por Freud), para que não mais tivessem desejos. Esta supressão criou um monstro-egrégora de id invisível que ceifou a vida de todos, com uma moral bem interessante: não se pode suprimir algo em nossa natureza humana à força, sob o risco de criar efeitos colaterais graves. O mesmo se pode observar da transgenia atual e do uso da nanotecnologia (mais à frente retomo essa questão nanotecnológica em um evento que coorganizei, com um viés pelos quadrinhos).
Mas neste meu conto, trabalho isso de outra maneira, acusando que o fim tão calamitado e avisado já se encontra em nossas vidas mesquinhas e sem criatividade, ao vivermos trabalhando como escravos de um sistema carcerário que nos obriga a gastar nosso tempo de uma forma alucinada e desvairada, sem nem sabermos bem o que fazemos. A premissa é que isso levou a algum outro cataclisma (conseqüência dessa vida desenfreada e inconseqüente), e os futuros extraterrestres captaram a mensagem que se formatou disso, como uma egrégora que se agrupou perto do final, como resultante de nossas consciências (inconsciente coletivo) servindo de exemplo ao cosmo. Eis o trecho inicial do conto:

O A-final
Gazy

– Conta-se que há muito tempo, num passado em que a civilização ainda era materializada, a vida já havia acabado. Embora não houvesse registros de que os seres viventes soubessem desse paradoxo, uma das informações ficou condensada como marca volátil, e agora pode ser acessada por quaisquer mentes etéreas, bastando-se obter o código mnemônico do planeta, quando ele estava em estado físico. A mensagem na caixa eternea nos vem assim:
“Foram milênios de construção.
Etapas de assentamento e tentativas de conscientização.
Aquele conhecido como Gibran khalil Gilbran sintetizou de forma poética o que é o olhar à natureza, mais ou menos dessa maneira: as árvores são poesias que a terra escreve sob o firmamento.
Mas era preciso que se entendesse o que é poesia...pois do contrário converter-se-ia tudo em apoiesis, forma sem alma, sem vida, apenas utilização maquinal!
Porém, esta espécie humana se moldou como um arremedo de si mesma... Principalmente quando confrontada com suas possibilidades éticas, às quais pensava estar exercendo!
Fragmentações psíquicas, antagonismos, preconceituações, assassinatos, imputações, maledicências e egrégoras de formação perniciosa resultaram destas aglomerações mentais.
A humanidade não poderia ter singrado rumo mais cruel e inóspito!
Ainda assim, a ciência – cega por se fiar apenas no hemisfério racional esquerdo do cérebro neocortical humanoide – chegou aos quanta e à consciência de que o homem é uma espécie de demiurgo, que pode catalisar seus desejos e trazer à existência uma cocriação universal prenhe e carregada de possibilidades.

Além dessa participação, produzi as HQ “Gliptodonte ou: a carapaça do tempo” (fig. 3 e 3a) para a revista Camiño di rato (no. 5 – que na verdade é a número 2), e recentemente outra HQ chamada “A vida em um Corazon” para o quarto número do Zine Royale (no próximo artigo falarei dessa HQ que sairá na revista independente editada pelo Jozz, bem como outra que estou terminando para a próxima Camiño di Rato)!, além disso, fiz algumas poesias intuitivas e já publiquei duas delas na revista independente “Mirante” de Santos, que já existe há mais de 20 anos (fig. 4):

O poema do homem-vivente

Formas opacas, translúcidas e verais!
Templos de seres
Vestes
Cobras
Ramos
Impérios...eu digo:
-Há ainda seres quasimodescos,mas não dantescos
Nas esferas do cosmo
Brado angústias, teço rupturas quebro insanidades
E contemplo vicissitudes
Sem me mover da rocha
Ígnea petrificada mórfica
E/mas voltaica!
Abençoado o elo
Do elétron
Ao gárgula!
Gargantua
Graça..
E plena!

Gazy Andraus; São Vicente, 13 de abril de 2009.

Eu as chamo de poesias “heavy metal”, pois são feitas da mesma maneira em que crio meus quadrinhos: ouço músicas e vou vertendo as palavras intuitivamente!
Indicado pelo Waldomiro Vergueiro, organizei o evento Nanotecnologia e(m) Quadrinhos (fig. 5: cartaz elaborado por Denis Basílio), com excelentes palestras de pesquisadores da área da nanotecnologia bem como participação dos membros do Observatório de Quadrinhos, levando a importância das HQ e também de se pesquisar melhor os efeitos da nanotecnologia e seus impactos (e perigos sem uma pesquisa mais acurada de seus efeitos a longo prazo). A Fundacentro fez uma cartilha em quadrinhos para isso (fig. 6) e que já está na produção do segundo número. Para baixar o primeiro número desenhado pelo Jão (http://jaogarcia.blog.uol.com.br/), vá em:
http://www.fundacentro.gov.br/dominios/CTN/seleciona_livro.asp?Cod=236
Recentemente ocorreu no dia 25 de novembro o evento “Expericiência e Espiritualidade” organizado pelo INTERESPE e o GEPI – grupos de estudos e pesquisa de interdisciplinaridade da PUC que leva vários conceitos à educação. Além de ter coorganizado o evento (e sugerido o título do tema como uma junção entre a experiência, a ciência e a espiritualidade) encarreguei-me de falar de HQ e física quântica (fig. 7) , material que é próximo do da nanotecnologia, o qual havia produzido com o doutorando Nobu Chinen, também do Observatório de quadrinhos da USP.
Tanto na nano como na física quântica há muito material em quadrinhos, especialmente com os super-heróis, cujos roteiros vêm nessa esteira paralela das descobertas científicas recriadas nas artes (ficção científica e quadrinhos, especialmente). Alguns exemplos podem ser mencionados como o Dr. Manhattan, de Alan Moore, que exemplifica uma mudança de algo anteriormente ingênuo como os super-seres da década de 1960 (como o foi o Hulk) com bases meio científicas para algo mais atualizado e baseado realmente em física quântica.
No começo do ano participei também da organização e curadoria do Universo Multicultural das HQ realizado no Centro Cultural da Juventude de São Paulo, além do evento realizado em julho, do 17º. COLE – Congresso de Leitura do Brasil com o tema desse ano “é preciso transver o mundo”. Nele, dentro do Eixo 14 - Escritas, Imagens e Criação, fiz e apresentei o artigo “A independente escrita-imagética caótico-organizacional dos fanzines: para uma leitura/feitura autoral criativa e pluriforme”, abordando a riqueza na leituira e na realização dos fanzines. Além disso, dei uma palestra sobre o universo dos fanzines no 1º. Expozine de Itu (fig. 8) , bem como ministrei uma oficina sobre zines para a Fundação Casa (a convite da amiga Thina Curtis, a “Dona Fanzine” como é chamada pelos funcionários da “Casa”), outro minicurso sobre os Biograficzines para a turma de mestrado orientada pelo Elydio dos Santos Neto na UNIMETODISTA de São Bernardo do Campo, e uma exposição de minha arte na Gibiteca de Santos (Fig. 9) e mais duas em Guarulhos com o pessoal do “La Panella” (http://coletivolapanela.blogspot.com/ ) e professores da FIG-UNIMESP. Houve uma participação minha no sketchcrawl de Santos (organizado pelo cartunista DaCosta), evento este realizado no mundo todo, em que os desenhistas se juntam para desenharem lugares de suas próprias cidades (http://www.sketchcrawl.com/forum/viewtopic.php?f=45&t=3838).
Recentemente escrevi junto com Elydio dos Santos Neto o artigo “Dos zines aos Biograficzines: compartilhar narrativas de vida e formação com imagens, criatividade e autoria”, cujo livro organizado por Cellina Muniz, intitulado “Fanzines: autoria, subjetividade e invenção de si” está no prelo e sairá em dezembro. Outro artigo que está prestes a ser publicado, que escrevi desde o ano passado insere-se na Revista Acadêmica Visualidades do curso de Cultura Visual da UFG, edição especial com dossiê sobre quadrinhos (meu artigo se chama “A autoria artística das histórias em quadrinhos (HQ) e seu potencial imagético informacional”).

Enfim, esse ano, especialmente, minha produção foi bem consistente, tanto na área da academia quanto na artística, levando em conta que produzi artigos como esse para o IBAC, além de outros em minha coluna “Consciência e Quadrinhos” no excelente blog criado por Renato Lebeau “Impulso HQ” (http://www.impulsohq.com.br/category/cnsciencia_e_quadrinhos/ )

Esse meu texto, afinal, se mostra mais como uma retrospectiva principal do que tenho produzido nesse ano, sempre preocupado em unir a questão da arte dos quadrinhos com a ciência e sua divulgação, tentando não me descuidar da produção artística. Foram tantos os afazeres que os textos para o IBAC tiveram que ser mais espaçados, e por isso consegui concluir somente esse agora, fechando o ano.
Espero que a partir de 2010 eu mantenha o fôlego, trazendo novos impulsos e conceitos para essa seção, além de manter minha produção, que é necessária não só para mim (manter o cérebro/mente neuroplástico ativo), como para a sociedade da qual faço parte e intento ajudar a melhorar na ampliação da consciência e busca de um mundo melhor.
Até 2010...com um novo alento! E um abraço aos que seguiram até agora meus textos com um grande agradecimento também (em especial ao amigo Elydio dos Santos Neto, um dos que mais têm me impulsionado e valorizado com relação a esses escritos que faço para o IBAC!).


Alguns links para acessar vídeos e entrevistas minhas:

Principal com links: http://tesegazy.blogspot.com/
Entrevista recente comigo em duas partes no excelente blog “Toka di rato” (criado por Matheus Moura): http://tokadirato.blogspot.com/search/label/Entrevistas
Vídeos com entrevista e palestras acadêmicas: http://video.google.com.br/videosearch?q=videos%20com%20%20Gazy%20Andraus&oe=utf-8&rls=org.mozilla:pt-BR:official&client=firefox-a&um=1&ie=UTF-8&sa=N&hl=pt-BR&tab=wv#q=videos+com++Gazy+Andraus&oe=utf-8&rls=org.mozilla%3Apt-BR%3Aofficial&client=firefox-a&um=1&ie=UTF-8&sa=N&hl=pt-BR&tab=wv&qvid=videos+com++Gazy+Andraus&vid=2797166131378768752
Vídeo-Entrevista sobre Nanotecnologia e quadrinhos: http://www.vimeo.com/6720037

Gazy Andraus; São Vicente, novembro de 2009.

Professor da FIG-UNIMESP, Pesquisador do Observatório de Quadrinhos da Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA-USP), Doutor em Ciências da Comunicação da ECA-USP (melhor tese de 2006 pelo HQMIX em 2007), Mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP, e autor de histórias em quadrinhos autorais adultas, de temática fantástico-filosófica.

28 de dezembro de 2009

 


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