instituto brasileiro arte e cultura
2016 - ano martins pena

Martins Pena
 
017
 
 
 
 
 
Aurélio Juruba

Água que Passarinho Não Bebe (E, Hoje, Nem Eu)

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Nos pequenos frascos encontra-se os melhores perfumes! Sábia definição largamente difundida pelo populacho. Vox populi, vox dei! E não estive eu, esse modesto malfeitor de prosas, a experimentar na carne tal sentença! OLEA EUROPEA... Uma reles unidade de seu fruto e... Era uma vez a história. Tamanho mal estar impediu-me de concluir a missiva anterior. Continuemos donde interrompemos.
Descrevíamos justamente a cena européia por volta de 1250, na qual o francês Arnaut de Villeneuve descobre a essência da aguardente, através do estudo da destilação do vinho e de suas substâncias. Rasgava-se a trilha para que o contemporâneo Raymond Lulle, chegasse à fórmula da sublime seiva: Obtia-se enfim a aguardente, após 3 a 4 destilações consecutivas a partir do vinho, sempre em fogo muito lento.
Daí, deslizaria a História por quase cinco séculos, para que a partir de 1730, aproximadamente, o envelhecimento das aguardentes viesse a se tornar habitual, extraindo-se melhor proveito. A cangebrina nossa de cada dia apurava-se, ganhando cores e aromas ainda mais atrativos. É desse período a engenhosa descoberta do envelhecimento em tonéis de carvalho, comparada apenas às invenções do avião e da penicilina, donde a coloração amarelada e o sabor inigualável emergem para nutrir a alma. Essa, denominada Aguardente Velha, ditaria novos rumos para a humanidade.
Estava definitivamente consagrada a substância há tanto perseguida por Plínio, o “Velho” (aproximadamente 23-79 D.C.), que em seu Tratado de Ciências, registra o apanho do vapor da resina de cedro, com um pedaço de lã no bico de uma chaleira, embrião de todas as aguardentes. O nome dessa substância à época? Quintessence, sendo as quatro primeiras, nada menos que Água, Terra, Fogo e Ar.
Chegaria o século XX, e com ele a evolução na obtenção de álcoois refinados. O consumo de aguardentes puras generaliza-se, tornando a degustação da “marvada” esporte mundial. Desde então, qualquer substância que contenha açúcar ou outro carboidrato, constitui matéria-prima para obtenção de etanol, o nosso abençoado álcool etílico, menina dos olhos presidenciais e futuro benévolo da terra de Pindorama. Breve, debruçaremo-nos sobre algumas dessas matérias, tão vitais à nossa longevidade e bem-estar.
Ora despeço-me, não sem antes ressalvar serem muitos os mitos e lendas em torno da origem da aguardente. Encontros vindouros deleitarão-nos com inúmeras dessas narrativas. Particularmente a partir da ótica tupiniquim. Congratulações fraternas aos leitores. Respeitosos ósculos às leitoras. E até a próxima.

Pesquisador de Cultura Popular Brasileira.

27 de junho de 2007

 


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