instituto brasileiro arte e cultura
2016 - ano martins pena

Martins Pena
 
017
 
 
 
 
 
Aurélio Juruba

Elucidário Etílico Introdutório

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Amigos, argonautas da rede. Salvas cordiais! Inicio ora, porém sem a magnificência pródiga aos doutos, um modesto elucidário etílico, guisa de introdução ao palavrório corrente nas fórmulas e rótulos da água nossa de cada gole.

Estimamos guiar o amigo por caminhos seguramente dantes navegados, embora talvez não vislumbrados em sua plenitude. Conscientizar para a apreciação de dádivas divinas da criação, matérias-primas básicas dos destilados e fermentados, a inundar nossas almas de aromas e sabores. Para tal, identifiquemo-as em seus grupos básicos: Matérias açucaradas, matérias feculentas ou amiláceas e matérias celulósicas.

Antes do olhar acurado, um apontamento. Toda matéria-prima, qualquer que seja o produto vegetal, implica vasta gama de fatores: variedade, idade e maturação (ou “envelhecimento”, que torna os álcoois e as damas mais sedutores e nobres ao paladar), regiões e condições culturais, colheita, e até mesmo condições de armazenamento, transporte e industrialização. Mimos imprescindíveis, preâmbulos à transformação em etanol.

A pátria abençoada brinda-nos com diversidade de matrizes. Iniciemos pelas matérias açucaradas:

Cana-de-açúcar sf. Planta da família das gramíneas, da qual se faz o açúcar e seus derivados, dentre eles a cachaça (e o rum), de abundantes espécies, com caracterizações típicas de cada região brasileira, a partir das várias etapas de extração, do melaço ao álcool etílico.

Beterraba sf. Planta de raiz comestível, da qual existem variedades utilizadas na fabricação do açúcar e, por conseguinte, do “mé” pouco encontrado por estas plagas.

Mel-de-abelhas sm. Substância viscosa e muito doce, produzida por abelhas de diversas espécies, elemento básico de cachaças refinadas e de longo processo de maturação, distantes dos paladares tupiniquins.

Além da diversidade de frutas que, em tese, são fontes de açúcares. Assim, onde ocorre abundância de uvas, obtêm-se o pisco e a bagaceira ou graspa (grappa italiana), a partir dos resíduos do vinho. Donde as tâmaras afloram, fermenta-se o arak. Da fartura das cerejeiras, rebentam o quirch e a vodka.

E assim para quase todos os proveitos das floráceas. Por vezes em processos rudimentares. Um frutinho e um garrafão... E meses de fermentação até o toque de midas, o nascedouro da manguaça. Bananas, maçãs, pêras, jabuticabas, figos, pitangas, amoras, maracujás, pêssegos, ameixas, caquis, abacaxis, melões e afins, que aquecem o corpo e iluminam as mentes humanas.

E por falar em melões e corpos aquecidos, urge concluir, que o dever me chama. Afinal, nestes dias de frio e chuva, nem só de cachaça vive o homem.

Aurélio Juruba, pesquisador de boteco, é dado aos vícios e pecados do corpo e da alma.
Pesquisador de Cultura Popular Brasileira

25 de julho de 2007

 


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