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2016 - ano martins pena

Martins Pena
 
017
 
 
 
 
 
Aurélio Juruba

De Féculas e Amiláceas

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Prezados leitores virtuais, habitantes do universo inexistente como realidade, embora potência ou faculdade concreta, cordiais saudações! Segue nossa saga etílica elucidatória, ora ao lado das matérias feculentas e amiláceas. Em miúdos trocados: as féculas, farináceas de raízes e tubérculos, e os amidos de grãos, hidratos de carbono apresentados em forma de despalatado pó, obtidos a partir de cereais.

Hidrato, seguramente o amigo bem sabe, é a combinação de qualquer subtância com moléculas de água, o que nem sempre resulta matéria líquida ou aquosa. Para tal constatação prática, basta lembrar os hábitos femininos da hidratação, cujo desfecho, via de regra, levá-nos a resultados deveras sólidos. Mas é este um outro assunto, incabível nessa missiva, embora sagrado ofício diário desse vosso interlocutor.

Em matérias feculentas e amiláceas, processa-se a alcoolização através de técnicas industriais de difícil manuseio e compreensão. Necessita-se conhecimentos maiores e são muitas as dificuldades de fermentação e conservação da matéria-prima. Altos custos acumulam-se, de tal monta que a fabricação de álcoois cereais produz-se em escala diminuta por estas plagas, geralmente de importância apenas ao setor industrial de bebidas. E vale lembrar o amigo (e a amiga), não sem os protestos de praxe ao altamente condenável desperdício, que os álcoois destinam-se a atividades outras que alimentar os sonhos e almas dos homens de bem (e de mal também).

Cá na Terra Brasilis, é a mandioca matéria feculenta potencial, outrora industrialmente explorada, hoje usada em pequena escala, donde origina-se a tiquira, aguardente popular do Nordeste brasileiro, região que provém álcoois artesanais de raízes como o cará e o inhame, de aromas e sabores inesquecíveis, que só retém na memória palativa que adentrou sertões e veredas. E lembremos a batata, donde pode-se obter um tipo muito especial de vodka, pouco explorado por aqui.

Brinda-nos ainda a pátria com amiláceas diversas, particularmente o milho, progenitor do bourbon, tradicional uísque americano, a cevada, mãe da gloriosa loura e presença marcante em destilados diversos, e o arroz, donde obtém-se o saquê. E aí pode o amigo questionar não tratar-se de produto genuinamente brasileiro. Proponho, e espero concordância vossa, a seguinte ponderação: consideremos álcool nacional, todo aquele consumido e retido em larga escala pelo ventre de cada cidadão brasileiro. Ou não é este ser um produto da pátria?!

Falando nisso, lembrei-me do zimbro, planta de frutos aromáticos e curativos, matéria-prima da genebra e do gim, este, diga-se de passagem, perfeito para compor este meu desjejum, já que a noitada foi fulgurante e uma rebatida se faz necessária. Avante e até.

Aurélio Juruba é escritor, embora tenha faltado com seu artigo no mês passado devido ao consumo excessivo da “mardita”.

01 de setembro de 2007

 


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