instituto brasileiro arte e cultura
2016 - ano martins pena

Martins Pena
 
017
 
 
 
 
 
Aurélio Juruba

De Matérias Celulósicas

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Salve, salve, comunidade IBAC. Após régias férias (30 dias absolutos, segundo consta a Carta Magna da Federação), retorno essas missivas, não sem antes declarar a imensa euforia que cerca o prélio.
E aprochego-me para descrever as matérias celulósicas, causa de espanto e sobressalto aos amigos de copo e balcão. Sim! Porque bebem-se palhas, madeiras e resíduos sulfíticos de fábricas de papel, entre matérias outras.

Vejamos inicialmente o conceito de celulose, segundo os mais conceituados compêndios léxicos da pátria-mãe: sf. Composto orgânico que é o componente principal da parte sólida dos vegetais, especialmente das paredes de suas células e das células das fibras, constituindo a matéria-prima do papel.

Ou ainda: sf. Quím. Polímero natural, encontrado nos vegetais e constituído pela polimerização da celobiose, substância branca, fibrosa, usada na fabricação de papéis (favor consultar os termos polímero e celobiose).

Em miúdos trocados, trata-se de matérias que, embora orgânicas, encontram-se no tênue fio entre a natureza pura e a química industrial, uma vez que necessitam de processo específico para o retiro de impurezas letais ao homem.

E bebemo-las, embora no Brasil não se ofereça condições econômicas de exploração para as mesmas, haja vista a falta de condições para a concentração de indústrias de papel ou de madeira, com custo de produção suficientemente baixo para a sobra da água benta nossa de cada manhã.

Em terras tupiniquins, as únicas matérias-primas de importância econômica imediata para a produção do etanol industrial são os melaços e a cana-de-açúcar. Em se tratando da primazial preparação de fermentados e destilados, utiliza-se a cana-de-açúcar e matérias amiláceas, conforme expresso em relatos de dantes.

Para melhor detalhamento sobre a produção celulósica, basta dizer que toda matéria-prima oriunda de vegetais, de preferência com troncos caudalosos, pode gerar o nobre etanol. Vegetais em geral, quando expostos ao processo de envelhecimento natural (diga-se apodrecimento), geram o famigerado álcool etílico.

Cá nas terras cabralinas, aproveita-se da raíz à fronte, produzindo objetos diversos de uso cotidiano. Em regiões de precária densidade demográfica e parco comércio exterior, ocorre grande sobre de matéria-prima orgânica... Donde extrai-se o etanol das madeiras apodrecidas para o consumo etílico.

Amigos de lá e de cá, confesso-vos, já experimentei a cachaça de celulose. Faz-se boa como qualquer cangebrina. Lembremo-nos que, entre os sivícolas brasileiros, o mosto é produzido através da fermentação de restos vegetais cuspidos em grande tacho após a mastigação coletiva. Toda boa cachaça provém de processo similar. Sem preconceitos.

Agora... Beber a sabedoria anotada nos cadernos dos miúdos de amanhã já é demais. Até para um inveterado como eu. Até a próxima, sem mais delongas!

20 de novembro de 2007

 


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